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sábado, 16 de março de 2013

Aventura

Ele é um homem tímido
como donzelas. Sorri
entre olhos meio fechados, pega minha mão sem saber
se me beija se me fala seu nome
se me usa

Eu digo
Abusa
me leva pra qualquer lugar e me devora

Ele me rouba
Me usa o corpo
E me desfaz num gozo ávido, feroz e másculo que não se cansa

Na cama, lassos, ele se deita dentro de mim
Vira menino, dorme quieto
Ronrona um pouco

Quero partir, não quero mais 
Mas ele se encolhe qual concha em meu seio e a madrugada já se ilumina de manhãs

quinta-feira, 14 de março de 2013

14

Um gosto de vagabundear
mais agudo que todo dia
#DiaDaPoesia

Mar de 12 a 13

Espelha a rua as águas de teus olhos
Quando fez-se adeus 
A palavra

Nenhum poema pode mais
brotar 
neste rubi
em que se fez meu coração ensanguentado
Dobrado em promessas e mentiras cuidadosamente encastoadas entre nossos risos

E mais que tente
E mais que ame
E faça bandeiras com teu nome dos lençóis em que nossos corpos atados vis desencontram-nos
Perdendo o precioso gozo entre os pequenos prazeres de um cristal de vidro

Não faço mais poemas, não sinto mais o gosto de sangue quando beijo tua boca, a fome

Não sei dos olhos o que o caminho perdeu

E minha pele respira outros perfumes que não teu um

Enumeraria cada perda, cada silêncio dos poemas repousando em livros, e os contos de Rosa Montero pesando nas estantes, e os Fogos desabando nos planetas sórdidos dos amores fugidios de cada caça sem encontrar aquele que conterá todos os suicídios que ocorrem a cada dia em meu ser poético encarcerado entre tantos corpos, tantos beijos, tantos nomes sem nome que reverberam a ausência do teu,
Sombra do vento que foi minha palavra e teus ouvidos

E meu barco navega em um rio tonto que não alcança mais
o Mar
O teu único mar em tuas nádegas de tantas ondas

Vou por aqui embarcada buscando portos
que ancorem um corpo uma noite
um gozo
o grito
e nada mais


(Inexplicável como o amor sobrevive sem palavras, sem encontros, e sem adeus)

Março

Março
É aço
Em minha pele fina
De papel

Inferno no fogo
do meu
Dragão

Sei que passa, em todo março 21 em meu são
que vira jorge
antes antônios e franciscos
Mas deixa um rastro de sangue

Inda bem que é porque cortei
os pulsos
do meu desespero

Poesia

Fiz um poema de infância
Na minha infância
Passei
e ele
- Cruel
Não envelheceu comigo.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Esquecimento

Corro o risco são francisco de encantar-me por elas? Vou abrir minhas janelas, vou beijar todas as bocas, hoje a vida se apresenta como um risco.
Amanhã precipício,
e é tão longe.
Quero-a hoje, agora, em meus silencios. Entra pela janela, furtiva, e foge comigo pra berlim.
Amanhã será outrem. Os perigos são demais, os amores escasseiam, as mentiras apavoram

Não quero as provas de amor, quero beijos
Eu que nem mesmo sei
o gosto das minhas comidas
as feridas

Vou abrir o ventre
deste amor avaro
pois que as paixões não entorpecem elas disseminam

E eu esqueço

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O amor do adeus

Este é o amor, todo o amor:
Chagas de deus.
Meu coração ensanguentado vaza teus perfumes
e faz manhãs nascerem em meu seio para aquecer-te o sol em meus olhos

Faz um luzeiro nas noites, faz
Cócegas nas estrelas
E eriça a cauda de cometas

Como poderão as fontes secarem se o meu amor alimenta-as com as lágrimas
Tua distância e
Inconstância criam as vagas
Os temporais,
Meu naufrágio

Mas irei ancorar em praias brancas de corpos e mel que brota de beijos
e a fina camada de pelos no rosto de um jovem homem que me quer com os desejos de todo seu jovem torso recém exposto aos temporais da masculinidade, ele e todos os sorrisos nos verdes olhos dos outros homens maduros como uvas que bebem em meu seio as forças com que me povoam
e as mulheres jovens de pernas graciosas e sorrisos de água
e as mulheres torneadas por anos em suas ancas que pesam sobre meu corpo sua ansiosa feminilidade

Este é o amor, meu amor
corpo de puta
minha pele untada em óleos dos amantes que arriscam seus desejos em minhas coxas
escorre para tuas mãos
e faz as águas rugirem em meu sexo para dar à tua sede, quando os vinhos das tantas bocas amortecerem os sonhos
Guardarei teu sono com sonhos de correntes e garras
Com a alta lua e os silêncios
Como as lagoas profundas e as as torrentes caudalosas prometem o mar
às ondas e gaivotas
Mas só há o mar para os afogados entre os homens, eu os afogarei com meu pranto, ou com meu sexo voraz
e com as incontáveis palavras que não se diz

Este é o amor, o meu amor e o teu, e o amor dos outros
E os amores todos que causei

Não haverá sombra na tarde que se inicia com sóis duplos, com lesmas sem rastros, com peixes com sede
Não haverá rumores no silêncio das pedras.
Não haverá beijos neste amor desesperado
Somente o presente meu para o teu
Somente as memórias da água, que não escrevem-se em palavras, que não desenham imagens, que são só
Esquecimento.