Um segundo
Outro segundo
Vítreo rio que escorre lento e quente entre as curvas deste corpo feto soluçante sobre a cama
(Drama)
Um minuto
Outro
Vaga-se pela casa, os quartos imensos oprimem cada osso que se dobra dobra e não se rompe
numa caixa torácica em que não cabe o ar
e as chamas as chamas não permitem a saída das lagrimas, as águas:
Só resta sal
Uma hora
E outra
Enredadas em cada fio de lembrança que se trança e
a presa exangue
entregue
frente a retratos a risos ao cadeirão à janela, ao cigarro aceso, ao café, ao lume, às pedras quentes do quintal de conchas
ao vento morno dessa qualquer tarde que são as todas tatuadas em mim
Um dia
Dois
E não sossego
E sua ausência me remove o gume
Dentro do silêncio que carrega palavras antigas em folhas soltas de papel de cor, e
nos muros recém pintados as tintas somem apagando aquilo que não não se desfaz de mim
Quisera o mundo fosse Raimundo ou fosse Antonio e talvez Fellipe,e mais Eduardo e John e seus saltimbancos
E fosse Robert e fosse Zé
Ou Mal e Val e Ale e Su e Pri e Pam e Li e She
E quem sem nome e quem sem olhos e quem sem cheiro, e só um corpo e só uma noite e só o sexo,
E seus beijos calmos
e seus beijos loucos
e seu corpo que eu já nem sei qual é
Mas só existe este não tempo
o espaço bruto de um precipício
Seu rosto e cheiro e nome e forma seus olhos o riso a cor o gosto a água
a água escura a água clara a água tanta a água fria a água quente e toda água
em minha sede
que já não passa
Só resta a mim
nestas lembranças
o sangue
o sumo de um silêncio
e o poema que não me cura o amor por ti
Um ano
Outro
Um século
Outro
O infinito enquanto eu dur(m)o
sábado, 15 de setembro de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Antonio
Antono é gitano, antonios e antinoos
Todo antônimo de mim
Pego sua boca vermelha
sua pele de branco floral
suas mãos que tem calos
sua voz que me cala
e seus gemidos
Antonio me gosta
amassa meus seios
Eu sei que é por hoje somente
Mas agora
Quero mais
Todo antônimo de mim
Pego sua boca vermelha
sua pele de branco floral
suas mãos que tem calos
sua voz que me cala
e seus gemidos
Antonio me gosta
amassa meus seios
Eu sei que é por hoje somente
Mas agora
Quero mais
Uma mulher
Uma mulher em meu leito
Um corpo em meu gozo
- Um vento quente e ríspido
age nas saias, e no mundo
e ela se encosta, e me afaga a nuca e me beija a pele definitiva e breve
que o meu sono se esvai
como uma gota no ralo como
um pedaço de folha neste vento brusco da manhã
Ela me deixa indócil
Ela me pega quente
Ela me faz em água
E eu lhe queimo o ventre
A mulher se ri e me gosta
Geme de gozo e quer mais
Um corpo em meu gozo
- Um vento quente e ríspido
age nas saias, e no mundo
e ela se encosta, e me afaga a nuca e me beija a pele definitiva e breve
que o meu sono se esvai
como uma gota no ralo como
um pedaço de folha neste vento brusco da manhã
Ela me deixa indócil
Ela me pega quente
Ela me faz em água
E eu lhe queimo o ventre
A mulher se ri e me gosta
Geme de gozo e quer mais
Morro de saudade, e a culpa é sua
Você já percorreu os caminhos
de um corpo? Já viu
que os pelos recusam carinho
se fazem espinhos
eriçam nos cães
e nas costas das mulheres
que gemem
que criam sussurros
(que são uns outros caminhos)
que são um roteiro
Dos seios ao ventre
Da boca ao olho
Da coxa ao sexo
Mulheres derramam
ao toque das letras na palavra que eu desenho nas mãos
de um corpo? Já viu
que os pelos recusam carinho
se fazem espinhos
eriçam nos cães
e nas costas das mulheres
que gemem
que criam sussurros
(que são uns outros caminhos)
que são um roteiro
Dos seios ao ventre
Da boca ao olho
Da coxa ao sexo
Mulheres derramam
ao toque das letras na palavra que eu desenho nas mãos
sábado, 4 de agosto de 2012
Amor vagabundo
Eu faço poemas de renda
tecidos com o algodão plantado
e o sangue na ponta dos dedos
Vou desenhando flores em palavras
e às vezes pássaros e sempre
vácuos
que são os silêncios, a parte perfeita da língua
Eu visto-me dessas palavras e
encanto teus olhos negros e outros rivais
teus olhos verdes
tuas mãos de homem
tua pele de bela mulher
e a qualquer um
que este rendado sirva
Pois não valho nada que
um amor vagabundo não pague
tecidos com o algodão plantado
e o sangue na ponta dos dedos
Vou desenhando flores em palavras
e às vezes pássaros e sempre
vácuos
que são os silêncios, a parte perfeita da língua
Eu visto-me dessas palavras e
encanto teus olhos negros e outros rivais
teus olhos verdes
tuas mãos de homem
tua pele de bela mulher
e a qualquer um
que este rendado sirva
Pois não valho nada que
um amor vagabundo não pague
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Vadiagem 2
Não me tente
Com este teu
corpo suado os olhos
brilhando
Com esta mão que
brinca em meus cabelos
E o desejo que
dança
À nossa volta
Parece querer
matar o mundo
e deixar nós
dois
Não me tente
o dia é quente
Não há cerveja
que sacie
A sede da tua
boca
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