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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Selvagem


Eu não tenho a disciplina férrea
de aço
maciça como pilar de concreto, a qualidade

Extraí da minha força
e do amor que sinto os rumos

e assim como um cavalo sem rédeas
me afogo no ar como num oceano
rasgo com meus dentes as cordas com que teimam em prender
meu elefante nas jaulas, meu coração

            como um elefante sangüíneo
eu toco e sinto vermelha a mão
e com tal prazer minhas unhas
rasgam o teu peito
                                   só para sentir o calor de teu coração
dilacerado.

Caçada


O amor é um incômodo nestes dias
Eu o descubro
sob os postes, cigarro aceso à espera de
que eu saia
e me pega de tal jeito lascivo

Gaiola de pássaro nas vitrines.
Aquário de peixes.
Homens nos trens.
Aprisionamento ilícito no limite da existência.

Eu descubro o amor caminhando em mim,
Rindo do meu engano,
Ele me toma inteira

Pássaro na gaiola, peixe no aquário, teu corpo nos trilhos
do meu desejo.

Um poema em movimento e escape RP&B (derivando de Chico, o de hollanda)



I. Já conheço os passos dessa estrada
Ou não conheço, desconheço a mim mesma, recém-descoberta (é assim que se escreve na nova ortografia?),
Uma mulher, uma coisa, uma espera de teu gesto, um abrigo em teu abraço que não vem, ou será...

II. Sei que não vai dar em nada
Recorrer a santos, a sais, a choros
Não refaz aquela hora de te olhar de cheio, e sumos
Produzir, e na tela aberta do meu micro a tua foto me sorri.

III. Seu segredo sei de cor, em vermelhos de meu fogo, em azul dos verdes olhos com que te dispo
Em sonho, em sono, em meu limbo onde
As palavras são a única senha para eu te esquecer, mas
Elas traçam tua geografia de seios e sumos, de mãos e gelo, de boca e dentes, de um único gesto que tem hoje, agora, sempre e muito, definitivamente o poder
De me matar e fazer viver


IV. Já conheço as pedras do caminho, as que rolaram sobre mim e me acordam toda noite
Em suores vis que te desejo
Que te apalpo e quero,
E nem assim
Posso.


V. E sei também que ali sozinho, o amor carrega o fardo de cães, gatos, bebês e lembranças.
O amor estará em guarda
Caso tua memória desfaleça, tua vontade esqueça, tua razão fique lúcida,
O amor haverá de te fechar os olhos à dor,
E te levar pela mão aos campos de flores onde tu a plantaste
E ela dorme em teu sonho tão bela, em tuas mãos o perfume de seu sexo aberto em luz de uma manhã que será sempre a mesma, a nunca chegada.
E tu haverás de sorrir e guardar este amor para sempre, uma jóia e uma cicatriz de dragões.


VI. Eu vou ficar tanto pior a cada milha, em cada poço, um rio de lágrimas e desgosto, paciente terminal de aeroporto
Pois que te espero,
Pois que te quero
Pois que o amor é o que tenho neste buquê para te dar
Se
Em algum tempo
Algum momento desta rota
Em ti chegar
.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Meu país

E o amor é uma bandeira, nego,

mas

a solidão, essa aí é um país

2:30

O mar dos marujos é o mesmo mar daqueles que ficam em terra
porém mais largo

E as mulheres que ficam no porto
são talvez mais belas
pois a distância do mar o torna mais
inconsútil

Como quando os corpos se reencontram
ficam mais doces e ávidos

Mas o mar é o mesmo e assim as mulheres

E nada dura. E tudo apresenta-se em queda.

E meu coração é um barco no mar amplo
e a pele das mulheres
a cada dia.

                     Quando os relógios estão exangues

                     Não sou mais nada

terça-feira, 24 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

Este silêncio

Antes que eu me esqueça e que eu me cale,
Este silêncio arde
Dentro do meu pensamento.

Minhas palavras brutas sem tua lapidação, sem a doçura esquisita com que lavavas meu rosto
e amaciava-me a língua, e tudo respinga a sangue, este cheiro enjoativo e coagulado na boca
Essa paixão lacerada e suja de pó
De uma estrada que não me leva e nem me traz, um precipício...

Ah o amor, esse ofício de falas, de manhas, de cortes.
Ah o amor esta flor que exala pétalas, que rebusca gestos
Ah o amor

E eu sem palavras,
e eu sem silêncio. E eu sou nadas.