Powered By Blogger

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O primeiro dia sem ti


Partindo, daqui o lago espelha nuvens chumbo. A noite chegando se aprofunda em escuros, e meu coração quer teu calor, mulher de meus desejos, mulher que eu amo tanto.

Este amor que arrebatou-me o corpo e os sentidos que me guiam, e colocou-me na trajetória de teu encontro. Eu não saberia que os riscos de amar-te estavam em não tentar te amar mais que um encontro. Assim parece ser feito o amor, de um encontro. Um encontro não, o encontro. Aquele que faz presente todos os dias contigo, e faz esquecimento o passado e o futuro que poderiam engravidar-me de lembranças. Agora, só tu existes, só tu és presente em mim.

Então eu me afasto de ti e sofro. Dói-me como doem as feridas por arranhões de espinhos, por corais marinhos, por queimadura de lagartas. Dói, presente.


Caminho por corpos que são escombros, por lugares que são cinzentos, e anseio que o tempo escorra veloz no vortex dos dias até que de novo eu te veja.

Habitaçao

Apraz-me estas longas hastes e suas flores vibrando amarelos no dia
e um pingo de rosas pequenas flutuando nos cantos de muro
o caminho brilhante feito cristal em fio das lesmas  sobre o verde intenso dos musgos
O chão forrado de musgos, as trepadeiras apodrecendo flores nas leiras

As pipiras inundam o piso branco com as sementinhas de goiaba, e eu sonho que elas me deem pelo menos uma
Mas não
Então como jabuticabas imensas como os olhos da donzela
E cheiro os jasmins

Cada pedacinho dela sou eu aqui dentro
e quando longe eu desejo tanto voltar
e quando chego meu coração deita na rede
debruçada nas janelas de cheiros de hortelã e lavanda
o silêncio zumbe e acolhe feito abraço

A vida é vasta, mas cabe aqui

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

No caso de amor, abra o livro

Se
em cada palavra guardasse um beijo
em cada poema uma declaração de amor
te escreveria a própria biblioteca
de
Alexandria

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sacia-me a sede, ó mulher
   despida de nódoas, pele perfumada
de alabastro e puros crisântemos nos seios

Mata minha fome, deusa
   de palavras abissais e silenciosas
   E um riso ocasionado por terremotos
   Entre dentes
E meus tremores


Abre-me os caminhos, amor feito de cores
E sangue, a nódoa, o jade

E sem substituto algum à doce
Ávida flor do sexo

Mulher amada (Vinicius faz 100 anos)

Abraça-me com teus beijos
Possui-me com tua fala
Me abras com teu desejo
Deleita-me com teu gozo
                   
            Em meu corpo todo ardente
            De ti, tua boca de dentes
            Teu leite de pedra
            Tua voz e sereia

Mulher que me cavalga
  que me afaga
     me beija

Plena definitiva
derramada de gozo em nós

Ursa Maior

Mulheres são
Uma constelação, não uma estrela

               O sol ardente
             Vênus que brilha
      e a tonelada derramada na via láctea

Mulheres são um dom de mar
O movimento
Em cada onda em todo vento na água ardente

E quebram rochas
Perfuram fendas
Preenchem tudo

Com sua fala de beijos e seus beijos de riso
e seu gosto pleno de frutas macias

Mulheres são.
Tu és
  O que és. Eu quero-te mais

Uma mulher

Há uma mulher que espreita meus dias
Sorrindo
Bruxa
me leva consigo pelo silêncio branco das noites insones
Até que eu esteja
                                               exausta
                                               exangue
                                               desfeita

e todas as palavras de minha boca
tenham sido roubadas

   Ela se ri
e me joga ao sono
   e em seu rastro

Só as letras negras neste papel branco inúteis

um obscuro silêncio
que só

o teu perfume e o teu riso
desfazem