Mocim fincou o pé
Na palavra e disse Tu é minha,
Ó Musa, me queira!
Madamezinha musa riu e fez um trajeto de esconde-e-caça
(à inglesa), eu fiquei é bem olhando de esguelha o homem entristecer,
Madame refestelar na chaise longue e fui
Fiz só o gesto
que ela esperava (aquele:
Ô Musa, nem te ligo,...)
Ela veio mansinha e aninhou no colo. Sê besta!
Eu é que sei o que custou, essa Musa.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
Promessa
Esqueço-me de tudo, até do amor
e do pão
Pois s inutilidades me atingem num vendaval de ausências e feijoeros secos
Faço preces de manhã para os sorrisos
e cuido do gato
(não há mais uso para mulheres neste olvido)
Ontem, o crepúsculo era pálido, a noite esparramou-se apodrecida sobre os terraços
e nenhuma alma cantou
Fiz minha colheita de silêncios
e aqui estou
avesso de pintura, branco no branco, rastro de formiga no muro
Refestelada de brotos de lírios, causo um certo iridescer no dia de amanhã
e do pão
Pois s inutilidades me atingem num vendaval de ausências e feijoeros secos
Faço preces de manhã para os sorrisos
e cuido do gato
(não há mais uso para mulheres neste olvido)
Ontem, o crepúsculo era pálido, a noite esparramou-se apodrecida sobre os terraços
e nenhuma alma cantou
Fiz minha colheita de silêncios
e aqui estou
avesso de pintura, branco no branco, rastro de formiga no muro
Refestelada de brotos de lírios, causo um certo iridescer no dia de amanhã
Despedida
Partirei ao amanhecer quando o gelo do inverno estiver fazendo águas, ou
no momento exato em que o vento remover a última folha do outono,
Mas não irás perceber
estas marcas de autenticidade do tempo
Estarás mais distraída que sempre
Tentando entender o sofrer
com a mesma racionalidade das ovelhas - à distância dos lobos.
(e na distância dos lobos, não poderás,
simplesmente)
Também te preocupam as razões do mundo (como se
o mundo pudese repousar e razões, e não em fogo)
E eu partirei
Na exata impossibilidade de te
florirem os olhos como as cerejeiras acasaladas com o vento
Não é preciso entender o amor
nem esperar a morte: ambos
estão no cerne de nós mesmos
que fazemos fugas
e mais
fazemos águas
naufragados em lágrimas
ou
desejos.
Mas trânsfugas dessa nossa mortalidade
Só o amor
Só ele e a morte definem a parcela de humano que há em mim
(e talvez em ti)
Quando eu partir, serei só
esquecimento.
E dróseras para os insetos
no momento exato em que o vento remover a última folha do outono,
Mas não irás perceber
estas marcas de autenticidade do tempo
Estarás mais distraída que sempre
Tentando entender o sofrer
com a mesma racionalidade das ovelhas - à distância dos lobos.
(e na distância dos lobos, não poderás,
simplesmente)
Também te preocupam as razões do mundo (como se
o mundo pudese repousar e razões, e não em fogo)
E eu partirei
Na exata impossibilidade de te
florirem os olhos como as cerejeiras acasaladas com o vento
Não é preciso entender o amor
nem esperar a morte: ambos
estão no cerne de nós mesmos
que fazemos fugas
e mais
fazemos águas
naufragados em lágrimas
ou
desejos.
Mas trânsfugas dessa nossa mortalidade
Só o amor
Só ele e a morte definem a parcela de humano que há em mim
(e talvez em ti)
Quando eu partir, serei só
esquecimento.
E dróseras para os insetos
Tempo
Em cada noite, uma gota
E a todo dia, um punhado
De hora em hora, mais se junta
De solidão
dentro de mim
Solidão em solidão se soma
Quase em escuro
dia sem dia é noite
Uma dose a mais, mais uma
E vem um deus voraz que rouba de cada riso a felicidade
Antes de amanhã morrerei
sem teu rosto
E a todo dia, um punhado
De hora em hora, mais se junta
De solidão
dentro de mim
Solidão em solidão se soma
Quase em escuro
dia sem dia é noite
Uma dose a mais, mais uma
E vem um deus voraz que rouba de cada riso a felicidade
Antes de amanhã morrerei
sem teu rosto
domingo, 3 de julho de 2011
Fogos
Abri minha página de bolso, ainda em papel
E lá você escreveu
E deixou pra nunca ou para sempre, ainda não é certo o que poderá vir a ser
O fogo que arde e faz arder o coração e as terras altas de meu ser,
Então eu fui marcada neste fogo e vai arder
E vai queimar
E eu vou ser
Aquela que ama o fogo
A cada fogo que tua chama acender....
segunda-feira, 13 de junho de 2011
2012 Moções
Meu barco jaz exangue em seu porto:
Icei velas, fui a alto mar
Singrei os mares de piratas, de monstros e cheguei ao abismo vago do horizonte
Onde as terras incógnitas estão
E seus abrolhos, suas altas falésias e apenas
Uma baía calma pude encontrar.
Foram muitos dias, contarei em anos a viagem, desde que parti:
Foram 42 os anos de noites, de vento ou de calmaria,
As tempestades, os sóis, a solidão absoluta de ninguém
E foram as carnes, as águas escasseando em meu corpo
E foram as palavras as frases os silêncios se calando em meu rosto
E foram as rugas, os caminhos do tempo
E a dura espécie de solidão que germina em meus ombros com o peso dos mundos de atlas
Tudo tua descoberta desfez,
Todo desencontro
Todo cansaço persistente das velas levantadas
Todo do não acontecimento das velas baixas sem vento
Todo fragor das tempestades e a placidez das ausências
Tudo tu substituíste
Plenamente
E imensa
E destituíste a inutilidade das palavras
E eu cantei
E refizeste a alegria dos sonhos e
Eu vivi
Mas a baía é pequena como um travesseiro, não cabe todo o penar, as angustias e os medos com que vieste
E meu barco terá que partir, eu sei
E será logo
E será breve o tempo em que fui feliz.
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