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segunda-feira, 26 de março de 2012

Escrevendo...Um poema em movimento e escape RP&B (derivando de Chico, o de hollanda)



I. Já conheço os passos dessa estrada
Ou não conheço, desconheço a mim mesma, recém-descoberta (é assim que se escreve na nova ortografia?),
Uma mulher, uma coisa, uma espera de teu gesto, um abrigo em teu abraço que não vem, ou será...

II. Sei que não vai dar em nada
Recorrer a santos, a sais, a choros
Não refaz aquela hora de te olhar de cheio, e sumos
Produzir, e na tela aberta do meu micro a tua foto me sorri.

III. Seu segredo sei de cor, em vermelhos de meu fogo, em azul dos verdes olhos com que te dispo
Em sonho, em sono, em meu limbo onde
As palavras são a única senha para eu te esquecer, mas
Elas traçam tua geografia de seios e sumos, de mãos e gelo, de boca e dentes, de um único gesto que tem hoje, agora, sempre e muito, definitivamente o poder
De me matar e fazer viver.


(mais? só amanhã, ou depois, ou nada)
Passos, posso? Caminhar com leveza sobre os escombros de mim

Posso, penso? Corro e não alcanço o momento exato em que te caio, em que
Te quis

Quero, posso? Ter a mim quase inteira, molambo que seja
que te abandono, passo

Definitivamente vôo

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Vaca Profana



Você pretende encontrar estrelas
nos meus olhos e admira as profundezas
do verde no mar

E eu navego obtusa como as deusas primevas
desejando teus sacrifícios do corpo
quando meu fogo arrasta os beijos de mil bocas
e as mãos em mil corpos devotam meu corpo a paixões ilimitadas
dos homens mais rudes, dos moços mais doces
e das meninas de ontem

Como explicar-te que o fogo me queima por todos os gozos
por todas as vozes
e os ritmos dos líquidos
de qualquer amor

Sinto saudades de amores antigos
desejos de mulheres abandonadas no cio
e frutificam em mim os sinais
que ela me manda, que todos me gritam

e meu corpo enseja ser corpos em cada amor.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


Vertiginosa é a queda em teu corpo
e tantos braços se estendem, as carícias do caminho
alimentam este encontro.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Twitter

1 tweet: Eu disse a ele: eu sou tudo o que vc não entende. Um animal na pele de um humano. Assim,
não se arrenpenderia, talvez, do que viria após.


2 tweet: Fico contando cabendo cortando letrinhas e sentidos e emoções que podiam ter sido, mas só
queria dizer uma coisas linda absoluta quando amo

3 tweet: Põe um gosto na mão que passa em meu rosto pra que eu deleite tua pele entre meus dentes
com saliva, ócio e um abrir de asas entre as pernas

3 poemas para o tempo

I
Jurei que os corpos seriam paisagens, não portos
Jurei que as mãos seriam vôos, não tatuagem
Jurei que os beijos seriam gozos e não sonhos
E o mundo giraria para todo o sempre em rotas inesperadas

Mas você nem pensa
E vem
Com seu corpo feito de águas e peles brancas
A sua boca forrada de morangos a frio
E um olhar quase uma ferra em meus sentidos

Você nem pensa o quanto meu mundo
Perdeu seu peso e as juras
Sob o fogo em teus olhos negros, em teus olhos ávidos,
Sob o peso abrupto de tua voz em meus ouvidos,
E deslocou-me milhas adiante, em rota exata
para o eterno círculo de teu gozo.

II
Atrai-me saber que há mulheres em
outro continente
Noutro continente tem milhares de mulheres impunes em seu desejo
Desejam homens
Desejam
    homens são como nacos de uma carne rígida e sóbria
Mas as mulheres os desejam não só as carnes
e a sobriedade. Pousa sobre elas o desejo
de transgredir os homens
denegri-los
limpar seus sapatos de couro e suas sandálias de pedra
e lavar com cabelos seus pés de barro.
Amar estes homens com sal e água
e com um zumbido
o algodão que tecem estas mulheres e
fazem vestes
para as crianças que ainda dormem
de bruços na aurora
de braços no oceano

destarte os continentes derivarem, o oceano tudo povoa
até as mulheres

Eu estou atraída por estas mulheres
mas não sei o que é o algodão de seu desejo

Riem. E passam o fio sobre os abismos e o oceano
Em outro continente.



III
Apraz-me um corpo
branco
no branco, lençóis brancos
e a tinta áspera do teu sangue
nos lábios
Meus lábios e teus rubros lábios
do sexo

Apraz-me teu gosto vívido, teus cheiros
e a respiração louca
que me rouba
o ar.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Esta é para a viagem para o colo do amor, o colo da mãe, o colo do pai, o amor BeneVidas


Poeminha de pó de estrada

Maninha, dá-me um chapéu que o sol é forte
neste caminho,
e não te esquece, maninha minha
de dar-me um copo limpo e uma garrafinha
com água clara, com clima frio, gosto de azul
e doze estrelas
que não se apagam feitas das chamas de teu olhar

Não deixa a porta fechada a chave
pois que já chego

Põe a água para nosso chá no fogo
com lenha seca: será farol. A estrada está densa
de outros corpos – e todos mortos –
e todos loucos
e sem destino: Posso enganar
de tua entrada. Por isso canta
aquela canção de ti, maninha,
do teu coração cheio de sangue a bombear,

Não sei, maninha
Há quanto tempo
estou vagando

Não sei, maninha
Se tenho forças
prá te encontrar

Mas urge agora, maninha minha
Ir ao encontro. Agora é tarde, agora é longe
Serei espectro. Se não te vejo, maninha minha,
serei penar.