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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Cadeau

Un cadeau
Um passarim
Duas dúzias de lírios

                        Metros de pele branca
                        em minha pele branca
                         Uma gota de suor e CH

Fazem milagres nessa distância

             Que se encolhe
             E me recolhe entre soluços

              Saudades, mais
Eu poderia dizer das mulheres
que são maternais
são cavernas
de sombras cálidas, protetoras
assombrando os monstros que assolam os mundos de cada um

Mas suas unhas de cristal
fazem adagas

E seu dentes
   estes teus dentes em minha
pele

Abrem tumultuosos rios

Me fazes voraz
eternamente

sábado, 31 de agosto de 2013

Ela

Ela é um anjo
E rasga os dias
Como uma lâmina de guerra

Quisera o mundo coubesse
Duas guerras, o amor
de muitos,
O poema
feito em peles e o desejo
feito em sais

Pudesse, lhe daria um mundo
quase silencioso
quase rave
Quase caos e montarias

Fossem os deuses feitos
do mesmo barro
que nós

(Ela tinha um sorriso gauche, como Carlos. Os olhos imensos como abismos. As palavras arrebentadas em rochas de sarcasmo, dor.
Ela tinha espírito. Um gesto voraz que caminhava em meu corpo como as lesmas trilham, derramada de brilhos aquosos laminares)

Você

Eu vi você
Mulher de pequenos seios, largo gestos
um abismo guardado nos olhos
quase uma queda

Vi tua boca feita de beijos prometidos biblicamente
                arrependidos culposamente
E tímidos, descaradamente
(Quase uma recusa de beijos, quase mil
palavras)

Quase passou desapercebida
A tua exasperada aprendizagem
de voo

Os meus vazios
Tu tomaste como mistérios
E eu teria deixado que testasses o voo
Sobre o meu corpo sabendo a águas negras e gosto amargo

Mesmo assim
Me deste ternura
Uma ponte sem outro lado
Um corpo repleto de sais
E eu te dei tudo
O que são minhas palavras: inutilidades
enfeitadas,
Um desejo
Um nada.

O Fogo do dragão

Mulher que minha pele queima
em tua espera
em tua órbita

                              Corpo

de meus lagos olhos
de meus risos gozo
de minha sede

Dispo-me de todos os mundos
                            os outros corpos
                            os outros monstros (Só O dragão)

Eu sou o fogo
Dragão de fogo em que te queimas,
                             A sarça de deus

Engano

Estou pisando flores
                     em tua boca feita de
Desejos e palavras e um sarcasmo
doloroso

Vou com as armas prontas
e atirarei meu gozo
entre tuas pernas

Até que exangue
Tu te creias
Minhas

Proposta

Caso-me
Caso possas capturar o ontem
Que corrói o amanhã

E amarrar os cães das lembranças
 Que mordem meus calcanhares

Caso-me
Caso possas apagar
A rua
A rota
Este caminho
Que, em meu corpo, marcam os beijos teus

E saibas
Destruir castelos de ar
E
Lágrimas

Caso-me
Caso outra seja
A vida
Que me dás.