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terça-feira, 24 de maio de 2011

Para amar o amor desde longe


O amor é este: núcleo ígneo de rocha fria; pedra na torrente; breu no meio do sol;
Teu corpo calculadamente penso
Meu corpo absolutamente em queda
E a alma ardente
dentro de mim feito asa que se quebrou aguarda
ventos mais límpidos
braseiro de fogo alto
ou
somente
as águas de teu gesto sobre minhas terras emersas

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pensando manuel


As coisas pretendem ser pessoas, com sua alma crescendo sobre as águas e dentro do ar, meio limo meio voz.
As coisas pretendem uma alma pequenina e duradoura, quase eterna.
Eu pretendo ser coisa, de vez em quando sem sentir nem mesmo teus olhos à distância, escavando meu peito aberto sem espaço
onde o coração seria.

domingo, 27 de março de 2011

Deusa


Áspero é o pelo que recobre tua pele quase gasta nestas tardes em que pareces esperar
que eu repouse
em qualquer lugar que não seja teu corpo e
presa de uma gravitação abrupta em tua órbita
Eu caia
sobre ti, e meu peso
destruindo as imensidões de solidão que cativas
que cultivas em extensos arrozais e em rápido cigarro

Soa tua canção, eu não partirei qualquer dia
deixarei então que a entoes
e seu significado encontre meu corpo aberto, úmido de um ávido desejo
mordidas de bicho, oh bicho
que pobremente arrasta a solidão pelos cantos cristalizados do olho,
Em meus olhos: águas
Isto ah não terás tão facilmente agora que perdes
Tua conexão com o mundo, eu sou
poder de bruxa casta, de vento rubro de fogos, de casas abertas e claras
de uma eternidade que não tocas nunca

Exato corte de punhais
primavera gritada nos muros: gentileza gera gentileza
frutos alimentam frutos
palavras são silêncios cortados por rios
e eu navego

estendidas velas sopradas para o oeste de teu corpo
em órbita feroz de meu corpo celeste

Teu cometa me escapa
e definitiva vais pelo deserto perder-te, entrar pelo esquecimento que governa qualquer amor que não houve. Primaz só o vento do meu hálito
Deusa em tuas noites
Rasgo de sangue e gasolina em teus dias...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia de nascimento


Um homem caminha com seu destino nos bolsos, é lâmpada.
Retira lentamente duas palavras de si
e as oferece. Ninguém aceita prontamente, todos estão expectantes, ele ri
Com flores nos dentes

Eu as tomarei e serei também um pouco luz
braseiro

É certo que o tempo foge, e as mãos se inutilizam,
mas é possível, ele diz
É certo
Nem este tempo em fuga, nem as distâncias
Farão dos dias beijos
E das noites desejo

É melhor trabalhar para que cheguem rápido
O amor, o sonho,
e os prazeres

Eu vou assim tomada por alegrias imensas que te encontrarei justo agora
Ou adiante.

Estudo sobre a chegada II



Estendo meu verso branco desde a aurora.
Virás pelo caminho das poças de um orvalho denso
como o amor
e eu te reconhecerei quando te moveres em direção ao sol.
Olharei dentro do sol e tu me cegarás deste desejo,
em meu rosto tuas mãos guiarão o que verei então. Queimarei
por teus olhos, deusa, os pés
na sarça de Deus.
Entrego a ti esta poção mágica que faz o amor arder a frio.
Serei algoz de mim mesma.
Serei Deus e criarei teu corpo.