Joaquim ensimesmado cresceu um olhar pro meu ladinho
Eu disse não, e logo fui
pegar muleque solto no aluvião do rio
pra enricar a mãe
e descansar o pai
e mesmo, comprar vitrola para derrotar os silêncios
Mas, homem teimoso Joaquim achou pepita
e me deu:
braço e casa, e um jardim repleto de musgos
Eu passo os dias todos circunvexa tolamente rindo
Se a felicidade não há
eu já sabia
Joaquim me dá um naco da dele, e me basta
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Presente
Eu faria para você uma canção inútil
Uma palavra sem sons
como aquele voo recém-alçado dos pássaros ainda em penugens
Chegará o verão
e não teremos ido senão até o mar
à beira do mar e seus destroços
(embora nunca haja tempestades nessas praias sem marcas)
Mas teremos muitas estórias
de besouros bravos, de frutas vermelhas, e de
cactos eretos entre os arbustos de flores estupendamente amarelas sem perfume
Eu estarei queimada dos sóis
destes tantos dias
e tu
estarás nua por meus desejos
imensos e
efervescentes
Nada será diferente
O amor
manterá os relógios à distância de nós
Uma palavra sem sons
como aquele voo recém-alçado dos pássaros ainda em penugens
Chegará o verão
e não teremos ido senão até o mar
à beira do mar e seus destroços
(embora nunca haja tempestades nessas praias sem marcas)
Mas teremos muitas estórias
de besouros bravos, de frutas vermelhas, e de
cactos eretos entre os arbustos de flores estupendamente amarelas sem perfume
Eu estarei queimada dos sóis
destes tantos dias
e tu
estarás nua por meus desejos
imensos e
efervescentes
Nada será diferente
O amor
manterá os relógios à distância de nós
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Definitiva
Mulher que minha pele queima
em tua espera
em tua órbita
Corpo
de meus lagos olhos
de meus rios gozo
de minha sede
Dispo-me de todos os mundos, os raimundos, os outros corpos
e outro mar
Mato os outros monstros (e alguns dragões)
E sou teu fogo, o teu dragão de fogo e beijos
A tua sarça a minha força
A nossa vida
O todo amor
em tua espera
em tua órbita
Corpo
de meus lagos olhos
de meus rios gozo
de minha sede
Dispo-me de todos os mundos, os raimundos, os outros corpos
e outro mar
Mato os outros monstros (e alguns dragões)
E sou teu fogo, o teu dragão de fogo e beijos
A tua sarça a minha força
A nossa vida
O todo amor
terça-feira, 16 de abril de 2013
O coração de uma mulher
O coração de uma mulher
Não presta para comer, não presta
Para guardar
Não presta para conter
Para que, então, mulher, tens coração?
Para te rasgar e corroer teu riso e teus ciúmes
Para ser guardiã dos perfumes
que sonharás nos travesseiros quando longe te agarrares a bem sucedidas vidas luas e lutarás contra a solidão dos espelhos
Meu coração será a bússola
para o caminho que quiseras teu
Meu coração será o tambor que anuncia
que estás vazia e voraz
quando eu já fui
Não presta para comer, não presta
Para guardar
Não presta para conter
Para que, então, mulher, tens coração?
Para te rasgar e corroer teu riso e teus ciúmes
Para ser guardiã dos perfumes
que sonharás nos travesseiros quando longe te agarrares a bem sucedidas vidas luas e lutarás contra a solidão dos espelhos
Meu coração será a bússola
para o caminho que quiseras teu
Meu coração será o tambor que anuncia
que estás vazia e voraz
quando eu já fui
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Antiguidade
Estou pensando naquelas flores, que murcharam
nos vasos abandonados em nossa casa
As flores,
Os balões de aniversário
As figuras de xadrez
e teu retrato
Eu nunca pensei que partiria, que deixaria para trás essa beleza no ato de amor que fizemos
dia após dia
noite e toda noite
Mas haverá algo a me arrepender, se já fizeste o meu coração um novelo para os gatos?
Saberei que cada um
beijo
fará estragos irreversíveis no ato de amor e tua ausência
que reverbera nos espelhos nos domos empoeirados de niemeyer, e na tua boca que sorri e mente e sorri e mente e sorri e eu
cultivo algumas mentiras doces que não vazam
até que as flores murchas abram sua glória apodrecida
e nossos corpos e nosso amor seja o pó
nesse retrato
nos vasos abandonados em nossa casa
As flores,
Os balões de aniversário
As figuras de xadrez
e teu retrato
Eu nunca pensei que partiria, que deixaria para trás essa beleza no ato de amor que fizemos
dia após dia
noite e toda noite
Mas haverá algo a me arrepender, se já fizeste o meu coração um novelo para os gatos?
Saberei que cada um
beijo
fará estragos irreversíveis no ato de amor e tua ausência
que reverbera nos espelhos nos domos empoeirados de niemeyer, e na tua boca que sorri e mente e sorri e mente e sorri e eu
cultivo algumas mentiras doces que não vazam
até que as flores murchas abram sua glória apodrecida
e nossos corpos e nosso amor seja o pó
nesse retrato
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